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FELICIDADE TEM VALOR EM SI MESMA

Cada um é cada um. Nesse caso, o velho chavão é verdade: cada um reage de um jeito aos acontecimentos. Parte da explicação para isso pode estar inscrita em nossos genes, conforme pesquisas vêm demonstrando há duas décadas. Uma das mais recentes, realizada pela Universidade de Edimburgo (Escócia), estudou mais de 900 pares de gêmeos para inferir a influência da genética em nosso "bem-estar subjetivo" - termo técnico para felicidade. Para os autores, os genes que agem sobre nossa satisfação são os mesmos que atuam sobre nossa personalidade.

"Quanto mais extrovertida, estável e consciente - o oposto de neurótica - uma pessoa é, maior tende a ser o seu bem-estar", diz Alexander Weiss, professor de psicologia e líder do estudo. E vai além. "Cerca de 50% das diferenças do nível de felicidade entre os indivíduos se deve a variações genéticas." A americana Sonja Lyubomirsky, professora de psicologia da Universidade da Califórnia (EUA), concorda e afirma que, além da porção genética, 40% da satisfação seria explicada por nosso comportamento. Os 10% restantes seriam fruto das circunstâncias: se somos homens ou mulheres, bonitos ou feios, brasileiros ou dinamarqueses, por exemplo.

Isso mostraria que mudanças não são fáceis. Porém são possíveis. "Nossas personalidades são estáveis. Contudo, pesquisas sugerem um aumento modesto na estabilidade emocional e consciência na idade adulta. Então algumas mudanças ocorrem naturalmente", diz. Segundo o professor, um alto grau de bem-estar não é caracterizado pela felicidade constante, mas pela atitude positiva permanente.

A maioria dos especialistas concorda que há um ponto de saturação no bem-estar de cada um de nós. "Precisamos voltar a um estado normal porque a felicidade precisa ser buscada", diz a neurocientista Silvia Helena Cardoso, fundadora do Instituto da Ciência da Felicidade, vinculado ao Instituto de Teleneurociência de Campinas (SP). Após um evento muito prazeroso, como uma promoção no emprego, chega a hora em que a satisfação acaba e nos sentimos motivados a buscá-la novamente. "Aristóteles já dizia que a felicidade é conseqüência de ações", diz Silvia.

Mas, segundo a neurocientista, a felicidade possui um diferencial em relação a outros objetivos de vida: é o único que tem valor em si mesmo. Os outros, como saúde, poder, dinheiro, beleza e sucesso, fazem sentido apenas como um meio de alcançar o bem-estar.

Juliana Tiraboschi
Ilustração: Fernanda Alyssa (Flickr)
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Nota : João Casmurro

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