SUICÍDIO: PONTO FINAL OU PONTO DE PARTIDA

Apesar de traumático, episódio pode servir como recomeço para quem sobrevive


Em determnada cidade do estado de São Paulo, no ano de 2009, 32 pessoas, dos mais variados perfis e idades, cometeram suicídio. Outras 345 tentaram, chegando mais ou menos perto de consumarem o atentado à própria vida. Em 2008 foram 301 tentativas (14% a menos) e 27 suicídios (18% inferior). Uma conversa com m especialistas e sobreviventes, constatou que em alguns casos, escapar do auto-ataque pode significar uma mudança de vida.

O psicólogo Antônio Cezar Gonçalves afirma que o suicídio representa uma situação limite para quem o tenta e pode ser resultado de um longo período de enfrentamento de um problema, ou mesmo de um episódio isolado baseado no impulso. “Tem pessoas que vão amadurecendo a ideia, ou mesmo esperam para ver se a coisa melhora. Já outras, decidem pela morte diante de uma única adversidade”, afirma.

O arquiteto Pedro (nome fictício), de 38 anos, viu o suicídio como uma porta de saída do que ele descreve como “o quarto claustrofóbico da depressão”. “O estranho é que eu me sentia culpado já no momento em que tentava me matar.”

A psicanalista Fátima Gonçalves explica que a pessoa que tenta se matar passa por uma quadro psicótico, temporário ou não. “O risco pode ou não ser calculado, mas principalmente nos casos de tentativa, existe uma parcela que sequer pensa em se matar, mas sim chamar a atenção das pessoas ao seu redor. Para quem quer se matar, o motivo jamais é banal, mesmo que assim pareça às outras pessoas.”

A comerciária Fátima (nome fictício) tentou suicídio aos 19 anos, após uma desilusão amorosa. Hoje com 22, enxerga o episódio como um divisor de águas. “O fato de eu sobreviver me fez reavaliar um monte de coisas em minha cabeça. Me ajudou, tanto que não me arrependo. Hoje estou bem, encaro as coisas em outra perspectiva. Sou grata por ter sobrevivido, diz a jovem, que em 2006 passou 12 dias na UTI.

Eles emprestam ouvidos que ouvem

“Às vezes o que falta é só alguém para desabafar. Alguém que aceite ouvir aquilo que a pessoa jamais teve coragem de falar ou mesmo que tenha paciência para ouvir aquilo que ela repete e já ninguém quer prestar atenção”, diz Marrone, voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida), uma das mais conhecidas frentes de combate ao suicídio.

Os voluntários dizem que jamais julgam ou tentar confrontar alguém que fala em se matar. “Respeitamos qualquer decisão. Não damos conselhos sobre o que fazer ou não fazer porque não somos superiores. Só queremos fazer com que a própria pessoa encontre a solução para o que lhe aflige”, diz Leni, outra voluntária.

Por mês 1,7 mil pessoas são atendidas pelo serviço, que hoje opera com 60 voluntários ativos que atendem por telefone e pessoalmente.

Imagem: por mindfulness

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3 comentários :

  1. A morte é o que mais desejo....
    Caso Deus não me conceda a morte, eu mesmo me presentearei com ela.
    Este é o presente que desejo.
    As pessoas dizem que basta crer que a gente alcança...ou que basta a gente pedir que Deus nos dá...
    Então aqui está o meu pedido: Deus, me dê a morte por esses dias...

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  3. Suicidar é o pensamento que vem se passando á dias na minha cabeça. Estou cansada fisicamente e mentalmente 😢

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