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FILME TRAZ FANTOCHE COMO AJUDA PARA DEPRESSÃO

“Não ligo se não fizer mais filmes com o ator”, declarou Mel Gibson em entrevista do site Deadline, às vésperas do lançamento de Um Novo Despertar (The Beaver), o drama que fez sob a direção de Jodie Foster em 2010 – antes dos escândalos de anti-semitas e de violência doméstica. Gibson se disse arrependido, mas que não se importa se, por conta da rejeição do público, não poder mais trabalhar como ator. “Não será um problema”, apontou. “Eu nunca tratei ninguém mal ou de forma discriminatória baseado em seu gênero, raça, religião ou sexualidade”, defende-se. “Mas não culpo quem pensa o contrário baseado no lixo que eles ouviram naquelas fitas”, complementou, afirmando que elas foram editadas de forma a incriminá-lo. No com texto de um momento de raiva e perda do controle não pode ser a considerada uma amostra ou prova de seu caráter, explicou. “Você tem de colocar no contexto correto, de ser uma discussão acalorada ou irracional no auge de uma separação. Foi um momento terrível que não representa o que eu realmente acredito ou como eu tratei as pessoas em minha vida inteira”, colocou.

Em Um Novo Desperar, o Mel Gibson tem numa atuação maravilhosa, onde interpreta Walter Clark, um caso clássico de depressão refratária. Nada -- terapia, medicamentos, bater tambor em retiros espirituais -- foi capaz de tirá-lo do estado de morte em vida em que ele se encontra. Com o filho pequeno tornando-se uma pessoa introvertida e a rebelião do filho adolescente fugindo ao controle, Meredith, a mulher de Walter, pede que ele saia de casa. Walter sai e, na mesma noite, tenta o suicídio. Fracassa também nisso, e se vê humilhado, no chão de um quarto de hotel, com um fantoche de castor que tirara de uma lixeira na mão esquerda. Ao que o boneco se torna o porta-voz de uma parte de Walter com a qual ele perdera contato: falando com um sotaque londrino grosseiro e voz roufenha, o Castor é vibrante, tem energia e propósito e domina Walter.


O boneco não o substitui, mas interpõe-se entre o homem real e o mundo que é demais para ele. Haja extranheza: se depois de tantos escândalos envolvendo seu nome, poucos se recordavam que Mel Gibson pode ser um ator imensamente comunicativo e eficaz. 


Em Um Novo Despertar seu desempenho vocal e na manipulação do fantoche é irresistível, tanto que quase obscurece sua atuação parcimoniosa, mas também ela irretocável, como Walter Black. Há ainda que creditar a ele certa coragem por abraçar um personagem tão próximo de si mesmo.

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"Olá, esta pessoa está sob os cuidados de um fantoche receitado medicamente. Por favor, trate-o como você faria normalmente, mas para se comunicar dirija-se ao fantoche", diz o cartão segurado por Gibson.
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Nota : João Casmurro

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