DOIS DIAS, UMA NOITE : O DRAMA DO DESEMPREGO

A obra dos irmãos Dardenne apresenta Sandra, um mulher que não quer perder o emprego e precisa agir


Sandra é um mulher comum, com uma vida simples e que acaba de sair de uma depressão. Ao voltar ao trabalho, local do qual foi afastada para tratar da doença, a protagonista se depara com uma questão inesperada e extremamente fria: os funcionários precisam abrir mão dos próprios bônus salariais para que Sandra volte a receber como funcionária da empresa. O problema é que ninguém está disposto a deixar de lado o dinheiro envolvido para que ela possa voltar como antes à rotina de trabalho.

Essa é a trama que move o filme Dois Dias, uma noite, dos irmãos consagrados Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. A protagonista ganha vida com a interpretação da francesa Marion Cotillard, cuja interpretação foi muito bem elogiada pela crítica e fez do filme sutil e simples, uma obra cheia de sensibilidade.

O nome do longa-metragem remete exatamente ao tempo que Sandra tem para convencer os funcionários de que precisa que eles abdiquem do bônus para que ela possa voltar ao trabalho. São horas angustiantes da protagonista em busca de argumentos e razões que justifiquem sua necessidade de voltar ao emprego. 

Imersa em um cenário onde não é benquista, os diretores apresentam Sandra ao público como uma mulher distante, calada, pensativa. Uma mulher que passou por uma depressão e, logo no momento de recuperação, precisa lidar com a rejeição dos colegas de trabalho. O filme, aliás, apresenta a depressão com muito cuidado, sem empregar o caráter emocional, apenas apresentando como um diagnóstico sério. 

Em meio à saga pessoal e pressão psicológica da protagonista, surge o personagem que será seu antagonista, o homem que incita os outros funcionários a não ajudarem Sandra, contribuindo ainda mais para o desespero interno da mulher. Ao mesmo tempo em que é muito pessoal, o filme aborda temáticas contemporâneas como a crise econômica, a sede por dinheiro e o egoísmo presente na organização social. 

A partir de Século Diário. Leia no original

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Um comentário :

  1. Nao conhecia este filme mas nao vou assisti-lo para evitar revivenciar esta situacao angustiante que ja lidei.

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