Recentes :

'VIVER É A MELHOR OPÇÃO', NOVO LIVRO DE ANDRÉ TRIGUEIRO

O jornalista André Trigueiro é conhecido da maioria pela sua atuação no jornalismo ambiental, que já lhe rendeu 26 prêmios e comendas, desde que passou a atuar à frente do Jornal das Dez da Globo News, em 1996. Permaneceu como âncora e repórter do telejornal por 16 anos. Desde abril de 2012, é repórter da TV Globo e colunista do Jornal da Globo, onde apresenta o quadro Sustentável. É editor-chefe do programa Cidades e Soluções, exibido pela Globo News desde 2006, comentarista da Rádio CBN desde 2003 e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro. Ele ainda mantém o blog Mundo Sustentável, no G1, e o site mundosustentavel.com.br.

Além da luta pelo meio ambiente, Trigueiro está à frente de mais uma urgente batalha pela vida: a prevenção ao suicídio. Esse é o principal motivo da viagem dele a vários estados, para o lançamento de sua nova obra : Viver É a Melhor Opção — A Prevenção do Suicídio no Brasil e no Mundo, pela editora Correio Fraterno. O livro apresenta alternativas para combate dos 800 mil casos de suicídio registrados anualmente em todo o mundo.

— A descoberta de que o suicídio é prevenível em 90% dos casos, e a necessidade de se retirar o véu que há séculos encobre esse tema me motivaram a escrever — explica.

Divulgador da doutrina de Allan Kardec, Trigueiro também leva para o livro a visão espírita sobre o problema. Em entrevista ao jornal Zero Hora, o  jornalista falou sobre jornalismo, sustentabilidade, espiritismo, suicídio, educação e, claro, as mortes em  Santa Maria (RS).

Jornalismo, sustentabilidade, espiritismo, suicídio e educação. Com mais de 20 anos de trabalho, o senhor se tornou uma referência. Mas também é mais do que um seguidor da doutrina espírita, é um divulgador; e, mais recentemente, mergulhou num estudo sobre o suicídio. E ainda se dedica a docência. Como esses assuntos estão relacionados e o que o senhor aprende com cada um deles?

André Trigueiro — Talvez o elo comum a todas essas frentes de trabalho seja o apreço pela vida. Quero ser útil, empregar meu tempo e energia em atividades que de alguma maneira façam a diferença em favor de um mundo melhor e mais justo. Como escreveu certa vez o escritor potiguar Câmara Cascudo: "Eu sou apenas uma célula, uma pequenina célula que procura ser útil na fidelidade da função". Acho essa frase linda.

Vamos começar pelo Jornalismo. Em 2004, o senhor criou o curso de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, que é oferecido como disciplina optativa a todos os cursos. De lá para cá, a mídia traz reflexos importantes do desejo de mudança em direção a uma vida mais sustentável. O senhor enxergou transformações na cobertura ambiental brasileira e nos espaços que os veículos de comunicação do país dedicam à área?

A situação é hoje melhor do que já foi. Há uma progressão do prestígio e do espaço ocupado pelos assuntos da sustentabilidade nas mídias. Mas, na minha opinião, ainda estamos aquém do necessário. A crise é bem maior do que é possível perceber através do noticiário.

Como jornalista, alguma vez o senhor já se sentiu uma andorinha só? Ou, ao contrário, acredita que a sustentabilidade esteja ganhando cada vez mais atenção no Brasil?

Aprendi há muitos anos a não me incomodar se a linha de cobertura jornalística com a qual mais me identifico não for a mais prestigiada na redação. O que, para mim, seria razão de um profundo desconforto é o risco de não seguir o meu coração e a minha consciência. Faço o que acho certo. Essa é a minha bússola.

Em janeiro de 2013, Santa Maria viveu uma devastadora tragédia, o incêndio na boate Kiss. Onde a cobertura jornalística pode ter falhado antes, durante e depois daquelas centenas de mortes?

Não me considero a pessoa mais indicada para fazer uma análise pormenorizada dessa cobertura. Isso demandaria tempo para recuperar a memória do que diferentes veículos de comunicação reportaram à época. Tragédias sempre expõem os jornalistas ao risco do sensacionalismo ou do uso desmedido de imagens apelativas. Mas o que houve na boate Kiss foi em si tão chocante, que, assim me parece, os próprios jornalistas — pelo menos dos veículos mais importantes — foram preventivamente cautelosos na abordagem do assunto. Difícil cobrir ocorrências dolorosas como essa e não se envolver com a história. É como se todos os brasileiros, e não apenas os jornalistas envolvidos diretamente com a cobertura, também tivessem perdido alguém querido na tragédia. 

Como cada cidadão pode agir no gerenciamento de riscos, de modo a evitar esse tipo de tragédia?

Em havendo a menor suspeita de algo errado, cobrar do gerente da casa noturna ou de espetáculos a apresentação de alvarás e licenças. Reparar se há extintores e portas anti-pânico. Ninguém precisa ser especialista no assunto para perceber o risco de haver problemas caso todos tenham que sair do lugar ao mesmo tempo. As autoridades, por sua vez, permanecem em dívida com a sociedade. Não é difícil encontrar por aí lugares onde a segurança é mínima. A cultura do gerenciamento de risco ainda requer esforços permanentes na educação, fiscalização e punição.

Agora, falando de sustentabilidade: o cenário apocalíptico descrito por cientistas agiganta tanto a questão que a distancia do indivíduo. O cidadão não reflete nem age por considerar seu papel muito pequeno. E, sem consciência, também deixa de cobrar políticas públicas que garantam desenvolvimento econômico baseado na premissa da sustentabilidade. Como acelerar a mudança?

A mudança é para ontem. Os indicadores são assustadores, mas a maioria das pessoas só aprende, quando aprende, pela dor. A crise ambiental sem precedentes na história da humanidade é didática, pedagógica. Depende de nós aprender a lição. Ainda há tempo. Mas não muito.

A crise hídrica do Sudeste mostrou que a finitude dos recursos naturais pode estar mais perto da gente do que se imaginava. A água é um dos principais problemas ambientais do mundo. É do Brasil também?

Há muito tempo. Só se surpreendeu com o colapso hídrico quem não vinha acompanhando a evolução do descaso com a mais importante bacia hidrográfica do país, economicamente falando. Falta de saneamento, assoreamento dos rios, desmatamento e outros impactos determinaram a exaustão da bacia. Bastou chover bem menos do que o esperado dois anos seguidos para esses problemas virem à tona. Como disse, a crise é pedagógica. A questão é saber se estamos dispostos a aprender a lição.

O espiritismo é uma válvula de escape?

Muita gente no Brasil ainda fala de espiritismo sem saber exatamente o que seja. Há uma enorme confusão semântica em torno do termo, usualmente associado a qualquer tradição que aceite a prática da mediunidade. "Espiritismo" é um neologismo criado no século XIX por um discípulo do grande educador Pestalozzi, o pedagogo Hippolyte Leon Denizard Rivail — que, mais tarde, adotou o pseudônimo de Allan Kardec — para codificar uma doutrina que procura explicar as leis que regem a vida e o universo. É uma filosofia espiritualista baseada na lógica e no bom senso. Não é proselitista nem se considera o único caminho que leva a Deus. Sou espírita há 30 anos e me sinto bem assim.

Como o senhor leva os ensinamentos dos aprendizados de todos esses trabalhos para dentro de casa? Em uma entrevista ao jornal O Globo, o senhor contou que os móveis de casa são de madeira de demolição, que seu carro não é lavado para não gastar água. O que mais?

Quem se interessa pelos assuntos da sustentabilidade conhece os meios de alcançar um estilo de vida menos impactante. Menos lixo, mais reciclagem ou compostagem. Equipamentos eletroeletrônicos com etiquetas do Inmetro letra "A" de baixíssimo consumo de energia. Baixo consumo de água, nenhuma ostentação, consumo consciente. E por aí vai...

Santa Maria vai ser a primeira cidade onde será lançado o livro Viver É a Melhor Opção. Aqui, o senhor pretende tratar do tema de modo especial?

Veremos como será. Não quero me antecipar. Sou muito espontâneo e intuitivo. A pior tragédia com vítimas da história do Brasil — envolvendo alguma atividade de entretenimento ou lazer — foi o incêndio do Gran Circus Norte Americano, em Niterói, na década de 1960. Trezentas e setenta e duas pessoas morreram na hora e algumas estimativas dão conta de que o número total chegou depois a 500. Niterói hoje é mais lembrada por ser uma cidade com IDH elevado do que pela tragédia (IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano, uma medida resumida do progresso a longo prazo da renda, da educação e da saúde. Niterói, é a sétima cidade melhor colocada no índice no país e a número 1 do estado fluminense). Acho que se dará o mesmo com Santa Maria, que é uma cidade repleta de jovens cheios de esperança, vitalidade e desejo de transformar o mundo. A vida segue, como deve ser. A dor da perda de um ente querido — especialmente filhos — nunca deixa de existir, mas pode se transformar em outra coisa. É como diz o autor do best-seller Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach: "Eis um teste para saber se você terminou sua missão na Terra: se você está vivo, não terminou".

O senhor vem para falar sobre o papel de cada um na sustentabilidade. E qual o papel de cada um na prevenção ao suicídio, um assunto que esta, como o senhor refere, no esconderijo, é um tema quase proibido na imprensa brasileira?

Ser voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida) é uma forma objetiva, direta, de ajudar na prevenção do suicídio. Basta ter mais de 18 anos, boa vontade e passar no curso de formação dado pela instituição. Desde 1962, esta organização vem oferecendo um serviço gratuito, 24 horas por dia, de apoio emocional e prevenção do suicídio que é reconhecida pelo Ministério da Saúde como de utilidade pública. Pode-se também ajudar na divulgação dos serviços do CVV. No dia a dia, podemos estimular o debate em torno da prevenção do suicídio onde e quando isso se fizer necessário. Em casa, trabalho, escola, universidade, sindicato etc. Por último, mas não menos importante, estarmos prontos para agir quando a Providência Divina solicitar a nossa intervenção, estancando ou aliviando processos dolorosos, consolando corações aflitos, ouvindo desabafos angustiados... Há sempre como interferir positivamente em algum elo da cadeia beneficiando todo o sistema.


Viver É a Melhor Opção _ A Prevenção do 
Suicídio no Brasil e no Mundo

O suicídio é um tema invisível, velado, ausente da mídia e das conversas na sociedade em geral, apesar dos mais de 800 mil casos registrados no mundo a cada ano. No livro, o escritor revela esses e outros números que dão a dimensão do problema e analisa as várias causas que levam as pessoas a ceifar suas vidas. André Trigueiro acredita que com informação, planejamento e, acima de tudo, com a coragem de quebrar o tabu que envolve o assunto, será possível reduzir as estatísticas de auto-extermínio. E cita exemplos bem-sucedidos nesse sentido no Brasil e no mundo.

A partir do ClicRBS. Leia no original
Compartilhe no Google Plus

Nota : Editor

Volte sempre.
    Comente
    Comente no Facebook

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe aqui seu recado ou depoimento, de forma anônima se preferir. Respeitamos a sua opinião, por isto recusaremos apenas as mensagens ofensivas e eventuais propagandas. Volte sempre!

REGRAS PARA COMENTÁRIOS:

O espaço de comentários do Blog Quero Morrer é essencialmente livre, mas pode ser moderado, tendo em vista critérios de legalidade e civilidade. Não serão aceitas as seguintes mensagens:

1. que violem qualquer norma vigente no Brasil, seja municipal, estadual ou federal;
2. com conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou que desrespeite a privacidade alheia;
3. com conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas;
4. com linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica;
5. de cunho comercial e/ou pertencentes a correntes ou pirâmides de qualquer espécie;
6. que caracterizem prática de spam;
7. são aceitos comentários anônimos, contanto que não infrinjam as regras acima.