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VIVO COMO SE O TEMPO ESTIVESSE CONTRA MIM

"Eu tenho muitos amigos e uma familia otima, meu problema... Bom nem eu entendo qual é ! Já tentei me matar. E depois de muito tempo fui contar para três amigas minhas que são as pessoas mais especiais da minha vida. Infelizmente elas não puderam me ajudar. Na verdade, elas fizeram tudo o que podiam (até contaram tudo para os meus pais sem que eu soubesse). Descobri tudo e elas acabaram desabafando que já estavam ficando cansadas de tentar me ajudar e não ver nenhuma reação minha. Então eu decidi para mim mesma, que dali em diante eu não iria mais aceitar a ajuda delas, pois estavam sofrendo demais com tudo isso. Por isso eu criei meu blog, para saber um pouco como as pessoas lidam com  depressão. A minha não vem de nada concreto, mas vem de dentro de mim. É como se você descobrice que nunca vai se adaptar à vida... Como se não pertencesse a essa vida... Vivo como se o tempo estivesse contra mim... Por quê viver? Que vida injusta! Nós amamos as pessoas, elas se vão e nós ficamos apenas com a saudade... Eu não quero viver para ver ninguém que eu amo ir embora." -  Tácithrus Death  [tacithrus.blogspot.com ]



Demorei um pouco a responder porque precisava de tempo e calma. Não gosto de fazer nada na correria ou só por fazer.

Pelo que li, cheguei à conclusão de que você não deve ter muito mais de vinte anos, ou nem isso (mas posso estar errada, é claro! Me corrija, se quiser...). Já tive essa idade e depois de ler e pensar no que escreveu, vi que esta sua história me é familiar.

Sempre fui muito exigente com tudo, principalmente com a vida. Nunca gostei de ser mais ou menos, nem de pessoas mais ou menos, nem de não saber o que acontecia com a minha vida. Procurava sempre muitas respostas e encontrava poucas. Se perguntava pra minha mãe, ela dizia que a vida era assim e que isso ia passar, se perguntava a um padre, ele dizia que era vontade de Deus e que não devia ser questionada. Amigos... como as suas, já tinham os próprios problemas e eu não queria ser mais um.

Enfim... achava que a solução era morrer. Assim deixaria de sofrer, não faria meus pais sofrerem e pronto! Tudo estava certo...

Isso durou muitos anos. Eu até tinha em mente uma data da qual não passaria. E esperava por ela ansiosamente. Hoje, vejo que era infantil, mas na época, era um drama pra mim e se alguém dissesse que era bobagem, eu me sentia desprotegida, abandonada e infeliz por que ninguém me compreendia. Eu tive tudo! Família perfeita (e ainda tenho), com direito a avós e tudo... amigos, uma vida boa, mas nada era suficiente pra me fazer feliz e enxergar a vida como uma coisa boa. Era um sofrimento viver. Me cansava de tudo. Tudo era um peso pra mim. Reclamava porque meu pai não me dava muita liberdade. Queria ser livre e fazer a faculdade que eu achava que seria boa pra mim. Com 17 anos, a gente é mesmo meio perdida por natureza...

Então resolvi me casar. Sei lá porque. Nada mudou muito. Achei que seria feliz, que teria uma vida própria, mas não foi como eu imaginava... Meu marido?! Ótima pessoa, mas faltava alguma coisa que nem eu sabia o que. Tive um filho, que eu amo e que hj tem 25 anos. Fui levando o meu casamento também como um fardo pesado. Na verdade, acho que eu gostava mesmo de um drama... Fiz uma faculdade, duas, três. No meio disto tudo, fui procurando um caminho pra mim, pois não via como descer do trem que, na minha cabeça, eu peguei pro lado errado. Às escondidas, fui parar num centro espírita (não estou dizendo que essa é a solução, ok?), e lá, encontrei respostas pra algumas perguntas que ninguém nunca soube ou nunca quis responder. Eu perguntava o porquê da vida e lá me respondiam... Eu perguntava o porquê da minha insatisfação e lá eu encontrava a resposta e, além das respostas, foram me mostrando como a vida funciona. Pra que serve o sofrimento ou porque ele cai sobre alguns de nós como uma névoa densa e fria.

Ao mesmo tempo, fui vendo que eu não era a única. Que, de uma forma ou de outra, todo mundo passa por situações difíceis de serem resolvidas, mas que nenhum mal dura para sempre. Acreditei nessa coisa de evolução do espírito e vi que muita coisa fazia sentido. Acreditava?! A princípio preferia ficar de fora, afinal, quem está de fora não perde a noção das coisas e não se deixa influenciar. Comecei a ler muito, afinal, precisava entender o que diziam e não queria engolir nada sem mastigar muito. Sempre fui arisca com tudo...

Fiz amigos sinceros. Percebi que as pessoas que antes não faziam muito sentido na minha vida, eram anjos que me ajudavam a caminhar e que esses anjos, nunca me cobravam nada. Ajudavam quando sentiam a necessidade de ajudar, mas também se afastavam quando percebiam que eu precisava respirar e pensar.

Aprendi muito e passei a me sentir mais leve. Compreendi a responsabilidade de se viver... não viver apenas, mas de viver BEM. Da sensação boa quando era útil a outras pessoas.

Depois disso, enfiei na cabeça, que tudo passa. Que nada fica pra sempre. Nem o que é bom, nem o que é ruim. Que os amigos vêm e vão, mas que, com carinho, a gente pode manter essa amizade mesmo que a distância seja grande.

Também nunca perdi ninguém... Tenho pais, avós, filho, amigos... A única pessoa que perdi, há uns dois anos, foi um amigo querido. Ele se suicidou... Foi muito triste. Chorei, senti raiva e por fim... pena. Por causa dele, li o livro “Memórias de um suicida”, o que me deixou pior, temendo pelo que ele está passando hoje.

Por causa desse amigo também, criamos este espaço [www.queromorrer.com], onde muitas pessoas passam pelo que a gente passa, mas muitas com motivos ainda maiores.

Senti que precisava fazer alguma coisa. Queria ajudar outras pessoas a deixarem essa idéia que tem um final trágico.

Hoje, acreditando piamente que a vida não acaba, e que, com o suicídio ela se transforma num verdadeiro inferno, sinto arrepios quando alguém mostra a vontade de tirar a própria vida.

Se um dia, eu souber que alguém deixou de fazer isso e que tive alguma participação nisso, mesmo que minimamente, me sentirei a pessoa mais feliz do mundo, pois saberei que valeu a pena escrever, falar, atormentar com esse papo de que “NÃO VALE A PENA”.

Dificuldades todos nós temos. Ninguém é feliz o tempo todo.

Minha vida tomou outro rumo. Encontrei meu caminho e hoje sou muito feliz. Já faz muito tempo que me sinto assim e nada, absolutamente nada me abala e me tira a paz, porque acredito que nada é por acaso.

Fico triste por você se sentir assim, mas também tenho a certeza de que vai passar e que  vai olhar isso tudo como eu olho hoje. Acho o tempo curto pra tudo o que eu quero fazer. Sinto que poderia estar fazendo mais.

Quando a mãe da gente fala que é falta de Deus a gente fica de saco cheio, pois não é isso que a gente quer ouvir. Mas ela tem razão... Sem ele a gente não tem paz. Pode ser babaca da minha parte falar disso, mas acreditar em algo superior, nos dá esperança, nos acalma, pois só assim a gente acredita que as coisas vão melhorar. Não estou falando pra seguir uma religião, mesmo por que você deve ter uma, mesmo que não freqüente. Falo de tentar uma conversa franca com Deus, como um amigo e não como algo que não existe. Ele vai te ouvir... e só Ele poderá preencher esse vazio que você carrega.

Tô sendo careta, né? Já escrevi demais...

Você já deve estar de saco cheio... Vou parar por aqui. Escreva se quiser. Se eu puder ajudar, estarei aqui. Nunca tive de responder um e-mail como o seu, portanto, posso ter dito um monte de besteira, mas releve, só tentei conversar um pouco e quem sabe, fazer com que pense melhor nessa sua vontade. Não deseje, não queira, um dia você vai conseguir e será tarde para se arrepender.

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Nota : João Casmurro

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