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'SE DISSÉSSEMOS O QUE REALMENTE DESEJAMOS, TODOS SERÍAMOS LOUCOS'

3/29/2015
A realizadora austríaca fala sobre “Amor Louco”, o filme sobre um pacto de suicídio duplo que ganhou o grande prêmio do Lisbon Estoril Film Festival



O poeta Heinrich von Kleist procura companhia para o suicídio e acaba por encontrar Henriette Vogel, casada com um parceiro de negócios e a quem foi diagnosticada uma doença incurável. A história verídica ideal para que Jessica Hausner deitasse para o lixo o seu antigo argumento sobre um suicídio que corre mal e remexesse nos baús da Alemanha no início do século xix. “Amor Louco”, o filme da realizadora austríaca de 42 anos, estreou em Cannes o ano passado na secção “Un Certain Regard”, foi premiado no Lisbon & Estoril Film Festival e chega agora a Portugal. Num hotel em Lisboa, a realizadora fala ao i sobre loucura, suicídio e como tentou fazer um filme que fugisse aos clichés históricos.

De onde surgiu a ideia para um filme sobre um suicídio a dois?

O primeiro rascunho do argumento para este filme foi feito há muito tempo. Há uns dez anos, por aí. O plano inicial era contar a história de um suicídio duplo e lembro-me da primeira história que escrevi, a de um casal que tenta matar-se em conjunto mas que não consegue. Um deles morre antes do outro e o outro não morre de todo… Era qualquer coisa deste género, uma história sobre o falhanço do plano, passada nos dias de hoje.

Mas acabou por concentrar-se num episódio real e histórico.

Não gostava deste argumento porque era muito trágico e pesado. Então fiz outro filme [“Lourdes”, de 2009, que ganhou o prémio de Melhor Filme em Veneza] e só depois voltei a concentrar-me no suicídio. Foi nessa altura que encontrei um artigo sobre a morte de Heinrich von Kleist e Henriette Vogel.

O que a fascinou na história?

O facto de Kleist ter perguntado a várias pessoas se queriam morrer com ele. Primeiro perguntou ao melhor amigo, mas ele não estava interessado. Depois perguntou à prima, Marie, mas ela não queria morrer com ele. E só então encontrou Henriette Vogel, que pensava que ia morrer de qualquer forma por causa da doença que tinha e disse-lhe que sim.

Abandonou então o argumento antigo.

Sim, depois nem toquei no outro argumento. Comecei do início. Até porque gosto que seja uma coisa histórica, ajuda-me a ter alguma distância sobre os acontecimentos e a estudar tudo o que está à volta. Não gosto de contar só uma história individual, gosto de perceber o grupo ou a sociedade em que estas pessoas vivem. E aqui tenho distância em relação a 1800, posso ver como era a situação nessa altura, é por isso que o filme fala dos dois lados de um acontecimento, que é verdadeiro e falso ao mesmo tempo.

Leu muita coisa sobre a época e sobre a vida de Heinrich von Kleist ou preferiu ter a sua própria interpretação das coisas?

Não li muitas biografias de Kleist porque não queria influenciar a minha interpretação da história. Mas li muita correspondência dessa altura, muitos diários e cartas, artigos de jornal e ensaios filosóficos para aprender como era a linguagem. Também fui muito influenciada por pinturas. Por exemplo, por Vermeer mas também por pintores do Renascimento.

Já que fala em pinturas, o filme é mais colorido que os filmes da época a que estamos habituados. Foi propositado?

Quisemos ser rigorosos nos detalhes históricos, mas não quisemos que fosse um filme histórico clássico. O guarda-roupa, por exemplo, foi influenciado por detalhes de moda dos dias de hoje. Mesmo os filmes clássicos que tentam replicar o que aconteceu em determinada altura não conseguem ser rigorosos. Ninguém estava lá nessa altura. E a partir do momento em que se percebe isso há uma certa liberdade para seres diferente, por isso tentámos investigar detalhes e imagens que não são muito comuns. Na maior parte destes filmes sobre o início do século XIX na Alemanha vês cores como o preto, o branco, o castanho e o cinzento. E pensámos: porque não fazer o contrário, com cores? E o material está lá. Os tapetes, as cores, é tudo de 1800, por isso é tudo uma questão de liberdade de escolha.

Como é que têm sido as reações ao filme?

Na Alemanha as pessoas já conheciam a história porque o Kleich é muito conhecido. Estive a seguir as estreias em várias cidades por todo o mundo [a seguir a Lisboa estará na Coreia] e as reacções têm sido diferentes. Riem-se por causa da obsessão de Kleich pelo suicídio. Em geral gostam do humor, já que o filme não está escrito de uma maneira trágica.

É por isso que decidiu chamar-lhe uma “comédia romântica”?

Sim, é uma espécie de piada. Mas algumas pessoas ficaram chocadas com a ideia de que a Henriette ainda queria dizer alguma coisa [antes de Kleich a matar]. O que acho interessante é que as pessoas têm sempre muitas interpretações. Já tinha experimentado isso também com outros filmes meus, todos eles têm alguma ambiguidade e por isso há espectadores muito certos de uma coisa e outros que dizem o contrário.

O que lhes costuma dizer?

Digo que estão todos certos. O filme está aberto a várias interpretações e era isso que queria. É essa a razão principal para fazer filmes, para dar a conhecer esta abertura numa altura em que tentamos sempre arranjar títulos ou categorias para as coisas. Elas podem ser muito contraditórias.

Algumas pessoas acham que Kleist era doente mental. Qual é a sua interpretação?

Consigo percebê-lo muito bem. Acho que ele, de alguma forma, é louco. Mas todos nós o somos de alguma maneira. Uns escondem-no melhor que ele. Ele diz o que quer e isso é muito estranho. Mas, sinceramente, acho que se disséssemos o que realmente desejamos os resultados seriam incríveis. Todos nós seríamos loucos. Nós só nos adaptamos melhor ao que é esperado. Ele é um homem teimoso que não tem nenhuma incapacidade, por isso até o percebo e gosto dele.

E Henriette?

Ela é o oposto. É tão inconsciente de si própria e do que ela quer que se torna o oposto. Ela é levada a fazer alguma coisa [neste caso ao suicídio] mas ainda assim não é uma vítima.

Ganhou o prémio de Melhor Filme no Lisbon & Estoril Film Festival. Como reage a premiações como esta?

Não estive cá durante o festival, mas fico feliz quando os filmes que faço têm algum sucesso, até porque sou uma pessoa muito autocrítica e por isso é bom para mim.

A partir do Jornal I. Leia no original

UMA COMÉDIA QUE NÃO FAZ RIR

3/29/2015
Treze anos depois de escrever Febre no Estádio (1992), o britânico Nick Hornby assinou Um Grande Salto (2005), obra cuja estranha premissa acompanha uma passagem do ano e quatro estranhos que se dirigem ao Topper's House, o local mais popular para a prática do suicídio do Norte de Londres, para colocarem um fim nas suas vidas.
Depois de Alta Fidelidade (2000) e Era uma vez um Rapaz (2002), este Um Grande Salto chega aos cinemas sob a liderança de Pascal Chaumeil, cineasta francês que não tinha deixando grandes recordações após duas comédias românticas subaproveitadas: O Quebra Corações (2010) e Um Plano Perfeito (2012). Ainda não é com este filme que o realizador se redime nem larga a sua visão de cinema mais próxima do mundo da publicidade, mesmo havendo aqui um apelo tão universal e emocional que certamente atrairá o público habituado a cinema ligeiro e de consumo fácil, os curiosamente apelidados de "filmes de domingo à tarde".
Martin (Pierce Brosnan), Maureen (Toni Collette), Jess (Imogen Poots) e JJ (Aaron Paul) são quatro pessoas insatisfeitas com o rumo das suas vidas. Se uns querem regressar à ribalta, outros querem apenas ser notados. Também há quem queira apenas um pouco da paz. É no topo desse edifício que todos se vão confrontar e encontrar um novo rumo para as suas vidas, nem que seja darem uma nova oportunidade a si mesmos, pelo menos até ao dia dos namorados (14 de fevereiro).
Com um elenco recheado de nomes conhecidos,  Um Grande Salto perde logo alguns pontos em relação à obra literária em que se baseia, em particular no tom negro do humor, caindo paralelamente e por diversas vezes em arranjos demasiado simplistas e apressados, reviravoltas típicas de uma narrativa forçosamente leve, e um sentido de previsibilidade em doses extremas. Curiosamente, acaba por ser Brosnan e Collette que se destacam, ele como um apresentador famoso caído em desgraça e ela como uma mulher presa a uma vida onde pouco mais pode fazer que cuidar do filho.
Se procuram um filme ligeiro que entretenha e sirva como guião de auto-ajuda, então talvez esta seja uma boa opção, mas com um tema tão sério estranha-se que tantas neuroses sejam tratadas mais como caprichos do que assuntos verdadeiramente exasperantes capazes de levar alguém ao topo de um edifício. Chaumeil tinha aqui a hipótese de realmente dar um grande salto e estatelou-se no chão.
A partir de C7nema. Leia no original

FILME FRANCÊS TRATA COM LEVEZA A DEPRESSÃO

3/27/2015

Mais do que falar sobre a depressão, o diretor Pierre Salvadori (de “Uma Doce Mentira”, 2010), que assina também o roteiro, mostra a crueza de uma crise que envolve seus protagonistas em “Um Pátio de Paris”.

Ele desenvolveu personagens que vivem à deriva, cujas perspectivas lhes foram roubadas, não apenas pela doença em si, mas por recusa de seus círculos íntimos de entender o que realmente ocorre. O filme estreia em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.O primeiro, e o mais performático, é o músico Antoine (Gustave Kervern), que deixa carreira, esposa e literalmente o palco, para trabalhar como zelador de um condomínio parisiense. Afeito a bebidas e drogas (único meio que lhe permite dialogar com outras pessoas), vê ali uma oportunidade de se entregar aos poucos a um inevitável fim.

No entanto, lá conhece a aposentada septuagenária Mathilde (Catherine Deneuve), que começa, passo a passo, a perder a noção de realidade. Um trabalho, aliás, brilhante da atriz, que se entrega ao papel, mesmo perdendo sua aura de realeza francesa, como o fez em “Ela Vai” (em 2013). Tragicamente perdido em seus devaneios, seu marido Serge (Féodor Atkine) não percebe o gradativo estado depressivo ao qual ela se encaminha.

Como se a torta relação entre Antoine e Mathilde não bastasse, Salvadori ainda coloca no caminho Stéphane (Pio Marmaï), um ex-atleta, que vive enfurnado em seu apartamento consumindo heroína e outras drogas, saindo ocasionalmente para roubar bicicletas. O trio, aparentemente trivial, consome a si, tendo Antoine, que nunca consegue dizer não, como ponte.

Apoiado em seu elenco afinado, o diretor evita carregar demais nas dores de seus protagonistas, incluindo aí doses ocasionais de humor para abarcar de maneira leve o tema. Mesmo assim, não se trata de uma história de superação, mas sim uma bem-pensada, tecnicamente, forma de assimilação do que é a depressão, com estágios, sintomas e enfrentamentos muito diferentes.

Em determinado momento, Antoine (percebendo que há algo de errado com sua amiga) diz que precisa falar algo para ela, mas não sabe como. Na cena em que ela segura sua mão, entendendo a ele e a si mesma, Salvadori mostra uma sensibilidade social, tão marcante como a grandeza cênica, de quem pensa através de imagens e metáforas. É, enfim, um forte pensamento figurativo, comovente e, até, útil.

A partir do G1. Leia no original

ROTEIRISTA CONFESSA TENTATIVA DE SUICÍDO

2/23/2015
Graham Moore
Vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado por "O Jogo da Imitação", o escritor Graham Moore fez, ao receber a estatueta, um dos discursos mais pessoais da história da premiação ao falar que tentou cometer suicídio quando era adolescente. O escritor transformou o livro Alan Turing: The Enigma, de Andrew Hodges (ainda sem tradução no Brasil) no roteiro para o filme O Jogo da Imitação.

"Eu tentei cometer suicídio quando tinha 16 anos e agora estou aqui", ele revelou. "Eu gostaria de dedicar este momento para aquele garoto que sente como se não se encaixasse em lugar nenhum. Você se encaixa. Continue estranho. Continue diferente, e depois, quando chegar a sua hora de estar neste palco, por favor, passe a mesma mensagem adiante."

Depois da cerimônia, Moore falou com a imprensa nos bastidores da premiação sobre o seu discurso. "Foi realmente difícil", ele admitiu. "Eu não sei. Sou um escritor, quando eu estaria de novo na televisão? Eram os 45 segundos que eu tinha na minha vida para aparecer na televisão e dizer algo, então achei que deveria fazer um bom uso disso e dizer algo significante." Ele garantiu que a sua família lhe deu muito suporte enquanto ele enfrentava depressão. 

Alan Turing foi um matemático britânico, unanimemente considerado um dos gênios da era moderna. Seu trabalho estabeleceu a fundação para a criação dos computadores; durante a Segunda Guerra Mundial, ele conseguiu decifrar os códigos que os alemães usavam para criptografar suas mensagens, fato que se tornou um trunfo durante o conflito. Homossexual, em 1952 foi condenado a se submeter a um programa de castração química pelo governo britânico – a homossexualidade na época era crime. Turing suicidou-se em 1954, tomando cianeto. Em 2013 o cientista recebeu perdão póstumo da rainha Elizabeth II.

Ao receber o prêmio da Academia, Moore aproveitou a história de Turing para contar fatos pessoais e enviar uma mensagem de esperança:

Então, é o seguinte. Alan Turing nunca pôde subir num palco como esse e olhar para todos esses rostos desconcertantemente lindos, e eu posso. E essa é a coisa mais injusta que eu já ouvi. Quando eu tinha 16 anos, eu tentei me matar porque eu me sentia esquisito e me sentia diferente e sentia que não pertencia a lugar nenhum. E agora que eu estou aqui eu gostaria de dedicar esse momento aos jovens por aí que sentem que são estranhos ou diferentes ou que não se encaixam – sim, vocês se encaixam. Eu prometo. Permaneçam estranhos, permaneçam diferentes, e quando chegar a sua vez, e vocês estiverem sobre esse palco, transmitam essa mensagem para as pessoas que virão depois de vocês.

Depois de vencer o prêmio, Moore falou com a revista Advocate sobre a responsabilidade que sentia ao escrever o roteiro sobre a história de Alan Turing: “Alan foi alguém que foi tão maltratado pela história. Ele foi alguém que, por ser gay, foi perseguido pelo governo cuja existência manteve. Então eu sempre senti que nós precisávamos de um filme que ajudasse a espalhar seu legado, e o celebrasse, e o levasse um novo público que de outra maneira não seria exposto a este homem porque a história o tratou tão miseravelmente.”

Graham Moore se declara heterossexual, mas isso não o impediu de usar seu momento perante as câmeras do mundo todo para enviar uma mensagem de apoio a todos que se sentem deslocados e desesperançados, seja qual for o motivo. A empatia não precisa ser limitada pela orientação sexual.

VERONIKA DECIDE MORRER

9/18/2012
Tema árido para duas figuras associadas a temáticas mais leves: Sarah Michelle Gellar permanece conhecida pela sua personagem infanto-juvenil que caçava vampiros, enquanto o escritor brasileiro Paulo Coelho  é lembrado sobretudo por sua obra de caráter místico/espiritual. Na verdade, o desempenho de Gellar foi geralmente elogiado. Quanto a Paulo Coelho, tem mais do que background para abordar o assunto: sua biografia é um verdadeiro labirinto de passagens por sanatórios e de misérias clínicas e espirituais diversas.

Fiel ao livro, narra a história de Veronika, uma jovem eslovena, que não aceita a idéia de viver uma vida sem sentido, decidindo se matar com uma overdose de calmantes. O suicídio fracassa e Veronika é internada em uma clinica psiquiátrica. Atendida pelo Dr. Blake, é informada que não terá mais que algumas semanas de vida, e provavelmente, morrerá internada. Durante seu tempo interna conhece Eduard, um jovem perturbado que acredita ter causado a morte de sua noiva num acidente de carro há alguns anos por contado trauma gerado pelo acidente não conversa com ninguém. Veronika e Eduard se apaixonam e resolvem fugir da clinica psiquiátrica. Paulo Coelho inspira-se na sua própria experiência de vida, vivida aos 17 anos, idade em que também esteve internado numa clínica. Mas não com a intenção de fazer uma autobiografia.

O livro faz você refletir sobre sua própria vida, e como alguns leitores já anunciaram, impossível ler sem pensar no rumo que sua vida esta seguindo.

Desde concluído, em 2009, teve uma distribuição completamente errática e só agora, passados três anos, terá a sua estreia nos Estados Unidos e na Inglaterra, país da realizadora Emily Young. No Brasil,  onde livro é, como de resto um pouco por toda a parte, um best-seller, apenas 15 mil pessoas foram assisti-lo após o lançamento em 61 salas. 

Ficha Técnica
Título no Brasil:  Veronika Decide Morrer  -  Título Original:  Veronika Decides to Die   -   País de Origem:  EUA
Gênero:  Drama  -  Classificação etária: 14 anos    -   Tempo de Duração: 102 minutos   -   Ano de Lançamento:  2009  -  Estréia no Brasil: 21/08/2009   -  Site Oficial:  http://www.veronikadecidestodiethemovie.com  -  Estúdio/Distrib.:  Imagem Filmes  -  Direção:  Emily Young 

FILME TRAZ FANTOCHE COMO AJUDA PARA DEPRESSÃO

7/03/2011
“Não ligo se não fizer mais filmes com o ator”, declarou Mel Gibson em entrevista do site Deadline, às vésperas do lançamento de Um Novo Despertar (The Beaver), o drama que fez sob a direção de Jodie Foster em 2010 – antes dos escândalos de anti-semitas e de violência doméstica. Gibson se disse arrependido, mas que não se importa se, por conta da rejeição do público, não poder mais trabalhar como ator. “Não será um problema”, apontou. “Eu nunca tratei ninguém mal ou de forma discriminatória baseado em seu gênero, raça, religião ou sexualidade”, defende-se. “Mas não culpo quem pensa o contrário baseado no lixo que eles ouviram naquelas fitas”, complementou, afirmando que elas foram editadas de forma a incriminá-lo. No com texto de um momento de raiva e perda do controle não pode ser a considerada uma amostra ou prova de seu caráter, explicou. “Você tem de colocar no contexto correto, de ser uma discussão acalorada ou irracional no auge de uma separação. Foi um momento terrível que não representa o que eu realmente acredito ou como eu tratei as pessoas em minha vida inteira”, colocou.

Em Um Novo Desperar, o Mel Gibson tem numa atuação maravilhosa, onde interpreta Walter Clark, um caso clássico de depressão refratária. Nada -- terapia, medicamentos, bater tambor em retiros espirituais -- foi capaz de tirá-lo do estado de morte em vida em que ele se encontra. Com o filho pequeno tornando-se uma pessoa introvertida e a rebelião do filho adolescente fugindo ao controle, Meredith, a mulher de Walter, pede que ele saia de casa. Walter sai e, na mesma noite, tenta o suicídio. Fracassa também nisso, e se vê humilhado, no chão de um quarto de hotel, com um fantoche de castor que tirara de uma lixeira na mão esquerda. Ao que o boneco se torna o porta-voz de uma parte de Walter com a qual ele perdera contato: falando com um sotaque londrino grosseiro e voz roufenha, o Castor é vibrante, tem energia e propósito e domina Walter.


O boneco não o substitui, mas interpõe-se entre o homem real e o mundo que é demais para ele. Haja extranheza: se depois de tantos escândalos envolvendo seu nome, poucos se recordavam que Mel Gibson pode ser um ator imensamente comunicativo e eficaz. 


Em Um Novo Despertar seu desempenho vocal e na manipulação do fantoche é irresistível, tanto que quase obscurece sua atuação parcimoniosa, mas também ela irretocável, como Walter Black. Há ainda que creditar a ele certa coragem por abraçar um personagem tão próximo de si mesmo.

* * *
"Olá, esta pessoa está sob os cuidados de um fantoche receitado medicamente. Por favor, trate-o como você faria normalmente, mas para se comunicar dirija-se ao fantoche", diz o cartão segurado por Gibson.

'A DEPRESSÃO ME FASCINA', DIZ JODIE FOSTER

7/03/2011


A atriz Jodie Foster contou que é "fascinada" por depressão, um assunto que ela explora em novo filme The Beaver. Segundo Jodie, que agora acumula a função de diretora, trabalhar em filmes sobre temas desafiadores ajuda a si mesma a lidar com seus próprios problemas.

"Eu acho que a depressão é fascinante, um monte de gente tem depressão na minha família. Fazer filmes sobre pessoas em crises espirituais me ajuda a chegar a um acordo com a minha própria crise espiritual.” Jodie garante que o trabalho faz com que consiga enxergar além. "Minha maneira de organizar os meus sentimentos é fazendo filmes e vendo os problemas de todos os pontos de vista."

A estrela também admitiu que só se sente atraída por dirigir filmes com os quais ela pode se relacionar de alguma forma. "Os filmes que dirijo têm que ter alguma relação com a história da minha vida. O ‘Little Man Tate’ é sobre um menino prodígio, e meu segundo, 'Home for the Holidays', fala sobre a vida aos trinta. Já ‘The Beaver' é sobre um homem de meia-idade. De certa forma, é uma trilogia."

A partir da revista Caras. Leia no original
 
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