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DEPRESSÃO, EFEITOS E A VIDA

Ao iniciar este depoimento tenho como finalidade de que o mesmo venha a ser útil para pessoas que passam e sejam vítimas da depressão, bem como para os familiares e amigos de pacientes depressivos. É uma forma que encontrei para demonstrar, como paciente que sou; dos malefícios que a depressão causa nos seres humanos e naqueles que estão a sua volta. Estou em tratamento há mais de dez anos. Mas isto é uma história que contarei a conta gotas neste espaço. Isto pelo fato de que ao descrever sobre o meu estado de saúde, é como remexer em uma ferida quase cicatrizada. Nela procurarei demonstrar, também, o quanto nocivo o é a dita Reforma Psiquiatra. Como foi que recebi a notícia da minha doença; quanto sofrimento adveio da mesma; quantos médicos e médicas já conheci; quais foram as medicações que já ingeri, enfim, vou de peito aberto, mas com uma finalidade precípua de que este possa vir a ser útil, nem que seja apenas para um paciente, um familiar, um amigo, um ser humano. Posto que, a doença é invisível e nem mesmo com as novas tecnologias, ainda não foi possível ingressar no micro universo que é a mente humana.

O início de tudo:

Para narrar a minha história pessoal, devo retornar no túnel do tempo. Começarei por volta do ano de 1997, quando a minha vida começou a mudar. Consultei vários médicos, desde neurologistas, clínicos gerais, clínicos vasculares, etc., porém, apesar de todas as quantidades de exames laboratoriais que realizei estes, sempre apresentavam mais que excelentes e, todas às vezes, ouvia as mesmas coisas dos médicos que visitei: - "Engraçado. Os resultados de seus exames estão perfeitos, não encontrei nada errado. Talvez você devesse tirar alguns dias de descanso." Entretanto, o que na verdade eu necessitava era de uma resposta, qualquer que fosse; mas de uma resposta para o que estava ocorrendo comigo. Ora, eu não conseguia há muito ter uma noite de sono tranquilo, deitava e uma hora ou duas após, já estava em pé, rodando pela casa, sem eira e nem beira, buscava o apoio na televisão, que à época, ou se assistia filmes ou programas evangélicos, aqueles do tipo "Fala que eu te escuto"; isto somente me deixava pior, principalmente este último programa; quando não me afundava na leitura de livros de direito, livros já lidos e estudados, outros que ainda tinha em minha biblioteca caseira que já havia lido quando ainda cursava a faculdade de direito. Enfim, o sono vinha pela manhã, por volta das seis horas, que já estava próximo da hora de levantar para levar meu filho à escola. Não querendo deixar o assunto principal, mas faço uma pequena incursão, a respeito de minha busca desesperada por uma resposta, uma ajuda. Esta busca me levou a deixar de frequentar a minha religião de nascença, e passei a frequentar e a conhecer algumas denominações religiosas. Hoje ao olhar para trás, vejo que a bem da verdade, eu parecia um macaco pulando de galho em galho. Abro aqui um parênteses, para contar que em uma destas denominadas igrejas neopentecostais, o pastor presidente, queria a todo custo, que eu fizesse um pequeno, rápido e intensivo curso para me tornar um pastor de sua igreja, havia somente um, porém, tinha que raspar o meu bigode. Este é apenas um pitaco de minha história neste período de desespero e de busca por resposta. A passagem do tempo, eu ia me sentido cada vez pior e o que é mais grave, não sabia o que tinha e já não tinha mais onde buscar resposta. Confesso que sempre gostei de uma cerveja, diria que, um bebedor social. Porém, neste período sei que ao menos para sentir-me artificialmente melhor, mais relaxado, a quantidade da cerveja aumentou e muito neste período; tornei-me uma esponja, na espuma da cerveja, enfim, não via a hora de terminar com os meus compromissos para tomar a primeira no balcão de um bar e comprar no supermercado, várias garrafas que consumiria em minha casa. No frio, bebia vinho, ou cerveja sem estar gelada. Isto que estava fazendo era apenas um lenitivo, pois ao cessar o efeito alcoólico, no dia seguinte restava a situação (que ainda não sabia o que era) e a desgraça maior que era a ressaca. Mas enfim, fui sobrevivendo até chegar em meados de 1999. Mas está seguirei contanto... 

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Nota : João Casmurro

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